Agendamento Detran-PB e Serviços

Confira o vídeo institucional sobre os agendamentos com o Detran-PB para realização de exames e nossos demais serviços. Memorial Santa Luzia – Oftalmologia Avançada. O MEMORIAL SANTA LUZIA possui tecnologia de ponta na realização de seus exames e cirurgias. Com um excelente nível de competência técnica.

 

É COMUM QUE O CÂNCER DE MAMA METASTIZE PARA OS OLHOS?

Outubro já chegou, e com ele a campanha OUTUBRO ROSA para a conscientização e proteção contra os cânceres mais comuns que atingem as mulheres, principalmente o câncer de mama. E você sabia que 30% das mulheres que tiveram câncer metastático apresentaram metástase aos olhos?

MAS PRIMEIRO, O QUE SÃO METÁSTASES?

Bom, metástases são células cancerígenas ou pequenos tumores malignos que correm pela corrente sanguínea e podem ser provenientes de um outro tumor pré-existente. Normalmente os cânceres de mama, pulmão ou próstata é que dão metástases em outros órgãos, incluindo os olhos.

Assim, nos olhos, é mais comum a metástase ocorrer na coroide, por ser a parte mais vascularizada, mas nada impede de ocorrer em outras partes dos olhos, até na pálpebra. Normalmente não costuma alterar esteticamente, mas piora a visão do paciente. O exame ocular envolve a análise das pupilas e o oftalmologista normalmente pede um ultrassom ocular, para confirmar o diagnóstico e medir o tumor.

QUAIS SINTOMAS DEVEMOS FICAR ATENTOS?

Os sinais das metástase coroide são raros, é mais comum ter algum sintoma se a metástase estiver no olho ou nas pálpebras, por exemplo. Nos casos de melanoma ocular, que também pode ser proveniente de metástase, pode haver alteração no tamanho ou forma da pupila, além do surgimento de pontos mais escuros na íris. Assim, se a metástase estiver localizada atrás do olho (na órbita), o globo ocular poderá ficar visivelmente deslocado para fora ou para o lado. Se estiver dentro do olho, que é a mais comum, os pacientes com metástase podem apresentar sintomas de luzes piscantes, pontos flutuantes ou distorção da visão.

E O TRATAMENTO?

Se a paciente tiver histórico de câncer de mama, esse diagnóstico deve ser feito a partir de qualquer sintoma visual. Uma avaliação oftalmológica completa, auxiliada por ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, geralmente confirma o diagnóstico. Já o tratamento deve ser feito o mais rápido possível, e pode aliviar os sintomas e controlar a doença. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a probabilidade de êxito no tratamento e qualidade de vida da paciente, diminuindo o risco de sequelas.

Você conhece alguém que teve câncer de mama ou tem alguma outra dúvida sobre metástase ocular? Entre em contato com a gente e marque uma consulta! Nossos oftalmologistas estarão dispostos a te ajudar no que for possível.

Fontes:
Merrill, C. F., Dimitrov, N. V. e Kaufman, D. I., “Breast cancer metastatic to the Eye is a common entity”.

Diagnósticos de miopia em crianças crescem na pandemia

Mais tempo dentro de casa, diante de telas pequenas e sem luz natural, está entre causas apontadas por especialistas.

Isolados em casa, com aulas pelo computador e tempo livre na frente da TV e de smartphones, crianças e jovens estão ficando míopes. É o que revela estudo inédito conduzido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), obtido pelo Estadão. Pelo menos 72% dos profissionais ouvidos na pesquisa relatam crescimento de diagnósticos de miopia em pacientes na faixa entre zero e 19 anos, além de agravamento de casos já detectados. Trabalho realizado na China chegou à mesma conclusão. A principal causa da miopia é a herança genética, mas a exposição excessiva a telas e a redução do tempo ao ar livre interferem em sua manifestação.

Escute o podcast em: https://player.fm/series/noticia-no-seu-tempo/diagnosticos-de-miopia-entre-criancas-crescem-na-pandemia

RESULTADO FINAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO MÉDICA EM OFTALMOLOGIA 2021

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO MÉDICA EM OFTALMOLOGIA 2021

RESULTADO FINAL

1 Gabriela Palitot Bandeira APROVADO E CLASSIFICADO

2 Juliana de Barros Florentino APROVADO E CLASSIFICADO

3 Priscilla de Araújo Souza Andrade APROVADO

4 Tales de Araújo Andrade APROVADO

 

Parabéns a todos!

Divulgação do número de candidatos inscritos em ordem alfabética para a realização do Processo Seletivo 2021

O MEMORIAL SANTA LUZIA HOSPITAL DE OLHOS, no uso de suas atribuições legais, torna público a divulgação do número de candidatos inscritos em ordem alfabética para a realização do Processo Seletivo para o preenchimento de vaga no Curso de Especialização do Memorial Santa Luzia credenciado pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

1. Gabriela Palitot Bandeira
2. Juliana de Barros Florentino
3. Michelle Rocha de Araújo
4. Priscilla de Araújo Souza Andrade
5. Talles de Araújo Andrade

Boa sorte a todos.

PROCESSO SELETIVO PARA O CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO MÉDICA EM OFTALMOLOGIA 2021

O MEMORIAL SANTA LUZIA HOSPITAL DE OLHOS, no uso de suas atribuições legais, torna público que estarão abertas as inscrições para a realização do Processo Seletivo para o preenchimento de vaga no Curso de Especialização do Memorial Santa Luzia credenciado pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

Estabelece as Normas do Processo Seletivo para o Ingresso no Curso de Especialização do Memorial Santa Luzia credenciado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, para o ano de 2021.

EDITAL Nº 01, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2020.

Baixe Aqui o edital: edital especialização 2021

A ficha deve ser preenchida e entregue na sede do Memorial que fica na:
AV. RUI CARNEIRO, 860 – JOÃO PESSOA, PB
Para duvidas e informações Tel. (83) 3226 7000 / Whatsapp (83) 99617-7474
Boa sorte a todos!

FICHA DE INSCRIÇÃO: devendo ser realizado o depósito até o dia 09 de dezembro de 2020

Baixe Aqui: Ficha de inscrição

VALOR DA INSCRIÇÃO: R$ 500,00 Reais

 

Baixe Aqui o edital retificado:EDITAL DE RETIFICAÇÃO 05-2020

DOENÇA OFTALMOLÓGICA NA INFÂNCIA: QUAIS AS MAIS COMUNS?

Um elevado percentual de crianças em idade escolar apresenta doença oftalmológica na infância. Por essa razão, é muito importante fazer avaliações periódicas com um médico.

Bebês e crianças pequenas não sabem expressar suas dificuldades visuais de forma clara. Assim, cabe aos pais/responsáveis observar possíveis sintomas no dia a dia dos pequenos, conduzindo-os à avaliação médica sempre que algo estranho for notado.

Pensando em ajudar você com isso, veremos neste post algumas das doenças mais comuns nos olhos durante a infância. Interessado? Então, continue lendo e confira quais são os principais sintomas que precisam de atenção!

MIOPIA

A miopia ocorre quando a imagem não é corretamente focalizada na retina, fazendo com que se tenha dificuldades para enxergar coisas a uma distância maior. Assim, a criança míope começa a evitar brincadeiras e atividades que exijam enxergar longe, já que ela consegue ver melhor de perto.

Em muitos casos, essa doença é hereditária. No entanto, a fadiga ocular resultante do esforço para manter o foco em um ponto específico (como a tela do computador) também pode ser responsável pela sua origem. Até por isso, pessoas que passam mais tempo em atividades externas apresentam menor incidência de miopia.

Em crianças, o tratamento pode ser realizado por meio da utilização de medicamentos (como o colírio com atropina com diluição adequada, que pode ser usado em casos bem específicos), óculos ou mesmo lentes de contato.

HIPERMETROPIA

Todos os bebês nascem hipermétropes, visto que o seu globo ocular ainda não atingiu o tamanho ideal. Dessa forma, as imagens captadas são formadas após a retina, no início, a criança sente dificuldade para enxergar de perto. Com o desenvolvimento, o globo ocular cresce e esse quadro é revertido.

É possível, no entanto, que devido a um desenvolvimento incompleto, algumas crianças não tenham reversão total do quadro e continuem a apresentar a hipermetropia.

Além disso, a hipermetropia ainda pode surgir na infância devido a outros problemas. Assim, os pais devem ficar atentos aos seus sinais: tendência a aproximar muito os livros e cadernos dos olhos e assistir à televisão estando muito próximos da tela.

O tratamento da hipermetropia em crianças é feito com o uso de óculos corretivos, principalmente, quando há desvio dos olhos associado.

ESTRABISMO

O estrabismo é a perda do paralelismo dos eixos visuais, isto é, quando um ou ambos os olhos estão desviados. Isso pode ocorrer para dentro (esotropia) ou para fora (exotropia).

Até os seis meses de idade, o aparecimento de certo desalinhamento entre os olhos é normal, pois o bebê ainda não tem uma boa fixação das imagens na mácula (parte central da retina). A presença de boa visão é uma condição para que os olhos fiquem alinhados corretamente. Após essa idade, os pais devem estar atentos — quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de cura.

Enquanto os olhos da criança ainda estão em desenvolvimento, o estrabismo pode ser tratado com o uso de um tampão, que ajuda a estimular a musculatura do olho mais fraco. Em crianças mais velhas, a correção é feita com a utilização de óculos. Cirurgias são recomendadas apenas em alguns casos.

AMBLIOPIA

A ambliopia é o desenvolvimento irregular de um dos olhos, que pode não evoluir adequadamente e acabar por ter uma participação mínima na visão da criança. Por essa razão, a doença é popularmente conhecida como “olho preguiçoso”.

Entre as suas causas mais comuns estão o estrabismo e os erros de refração (miopia, hipermetropia ou astigmatismo). Assim como o estrabismo, a ambliopia deve ser tratada com oclusão, exercícios oculares orientados e o uso de óculos. Seu tratamento deve ser precoce para o estímulo visual ocorrer de forma adequada.

LEUCOCORIA

A leucocoria se dá pelo surgimento de lesões posteriores à pupila, mas que se caracterizam como manchas brancas nessa parte do olho (leucocoria significa “pupila branca”). Por impedir a correta passagem da luz, ela pode atrasar o desenvolvimento normal das vias ópticas ou mesmo conduzir ao seu atrofiamento.

Sua avaliação é obrigatória no recém-nascido (pelo chamado “teste do olhinho”). As causas mais comuns em crianças são a catarata congênita e o retinoblastoma, mas ainda existem outras. Por essa razão, o tratamento da leucocoria deve feito de acordo com a doença causadora.

RETINOBLASTOMA

O retinoblastoma é um tumor maligno que altera as células da retina. Trata-se do tumor ocular mais frequente em crianças, e é uma das doenças oftalmológicas mais graves. Sobretudo em razão dessa doença, o teste do olhinho deve ser realizado com frequência em crianças pequenas.

Existe hoje uma série de modalidades terapêuticas para o tratamento do retinoblastoma, após diagnosticado. Esse tratamento, no entanto, será programado em conformidade com a extensão da doença — se ela está atingindo os dois olhos ou apenas um.

LACRIMEJAMENTO EXCESSIVO

O lacrimejamento excessivo pode ocorrer em bebês, e sua causa mais comum é a obstrução parcial ou total dos ductos lacrimais, impedindo a drenagem completa das lágrimas. Normalmente, esse problema é resolvido ao longo do crescimento dos pequenos, visto que seus ductos lacrimais se tornam mais alargados com o tempo. No entanto, em alguns bebês pode ser necessário realizar a massagem local ou sondagem do canal nos casos persistentes.

ALERGIA OU CONJUNTIVITE ALÉRGICA

A alergia é uma das doenças mais comuns nos olhos de crianças. Em geral, os pequenos apresentam alergia a poeira, ácaros, pelos de animais, fumaça de cigarro, pólen, mofo, poluição, perfume e cheiros fortes (como os de produtos de limpeza), apresentando seus sintomas quando há mudanças climáticas. Além disso, a alergia pode estar ligada a outras doenças, como a asma, dermatite e a rinite.

Um dos sintomas comuns nesse tipo de quadro é a conjuntivite alérgica, caracterizada por prurido (coceira) ocular, vermelhidão, inchaço das pálpebras, sensibilidade a luz e lacrimejamento excessivo. Também pode ocorrer a presença de secreção aquosa. De todo modo, isso deve ser tratado com colírios antialérgicos e lavagem ocular com soro fisiológico, além de antialérgicos orais.

É fundamental evitar o contato com o alérgeno que desencadeou a crise — para tanto, os pais devem observar em quais situações a criança desenvolve os sintomas, a fim de identificar qual é esse agente causador. Se não houver tratamento correto, a conjuntivite alérgica pode evoluir para uma bacteriana, trazendo riscos à visão.

CATARATA CONGÊNITA

A catarata congênita ou da infância é responsável por cerca de 10% dos casos de cegueira infantil, e, por esse motivo, é considerada uma das doenças oculares mais comuns nos pequenos.

Na infância, o principal sintoma da catarata é uma mancha esbranquiçada na pupila. Esse problema costuma ser notado ao se tirar uma foto com flash, quando a mancha se destaca. Essa alteração significa que há perda de transparência do cristalino, a “lente ocular”, que é fundamental para uma visão nítida.

A herança genética, ou seja, a presença de pais e outros familiares com catarata, aumenta a chance de uma criança desenvolver a doença. Além disso, infecções intrauterinas como rubéola, sífilis e toxoplasmose também podem desencadear a catarata congênita.

Em muitos casos, é preciso realizar a cirurgia para remoção da catarata e implantar uma lente intra-ocular em outro tempo cirúrgico. Também será necessário um acompanhamento rigoroso até os 10 anos e, após, um acompanhamento rotineiro para o resto da vida.

Enfim, essas são as doenças oftalmológicas mais comuns durante a infância. Felizmente, a maioria dos seus sintomas é de fácil percepção para os adultos que convivem com a criança. Identificá-los o mais cedo possível e garantir que o portador tenha o tratamento adequado é fundamental para evitar grandes danos à visão.

De modo geral, caso não apresente nenhum problema de visão, a criança deve realizar um acompanhamento anual com um profissional oftalmologista. Se houver detecção de alguma dificuldade, é essencial consultar-se no intervalo de tempo estabelecido pelo médico, a fim de evitar a progressão das doenças.

 

Fonte: https://retinapro.com.br/

Visão e Síndrome de Down

Você sabia que as crianças com síndrome de Down aprendem mais facilmente com informações visuais? Por isso, qualquer problema de visão pode ter um grande impacto no seu desenvolvimento.

Especialistas recomendam que o acompanhamento oftalmológico comece já no nascimento, com exames e avaliações anuais. Hoje, a estimativa é que até 50% das crianças tenham dificuldade para ver de longe, e outras 20% para ver de perto. E até 90% das pessoas com síndrome de Down podem necessitar do uso de óculos.

Outros desvios recorrentes são:

– Estrabismo (desvio ocular): acomete cerca de 38% das crianças com síndrome de Down;

– Nistagmo: são pequenos movimentos involuntários dos olhos. O tratamento é feito com uso de óculos e tampão, quando necessário;

– Catarata: em geral é congênita – a criança nasce com ela. O diagnóstico é feito por meio da avaliação do Reflexo Vermelho do bebê (“Teste do Olhinho”), já na maternidade. Neste caso, o tratamento é cirúrgico e precisa ser feito imediatamente, para permitir o desenvolvimento visual da criança.

– Blefarite: É uma inflamação que afeta a pálpebra, junto aos cílios, provocando coceira e vermelhidão ocular. Em casos mais severos, o tratamento é feito com colírios antibióticos ou com corticoide;

– Conjuntivite e Obstrução do canal lacrimal: o canal da lágrima tende a ser mais estreito já que, devido à maior frequência de infecções de nariz e garganta nesses pacientes, a drenagem fica bloqueada com facilidade. Isso leva os olhos a lacrimejarem, o que aumenta o risco de infecções. O tratamento é feito com sondagem.

Os pais podem ficar atentos a alguns sinais para entender que é hora de uma consulta:

 

– Alteração de comportamento;

– Olhar não fixa nas pessoas e objetos;

– Esbarra em móveis;

– Desvio ocular (estrabismo)

Ceratocone e a síndrome de Down

Apesar de ser raro na infância, o ceratocone pode se manifestar durante a adolescência e afeta entre 10 e 15% dos adultos com a síndrome de Down. Essa doença consiste no afinamento de uma parte da córnea. Este afinamento provoca um aumento na curvatura, resultando na queda da qualidade da visão e na distorção da imagem. O tratamento inclui uso de óculos e lentes de contato rígidas.

Outro ponto importante é que existe uma relação comprovada entre ceratocone e o ato de coçar e apertar os olhos de maneira inadequada. Isso porque, quando coçamos os olhos, o movimento quebra mecanicamente estruturas da córnea, que afina e se curva. No início da doença, a pessoa pode não sentir nada, por isso o diagnóstico acaba sendo tardio.

Fonte: Portal da oftalmologia

Brasileiros têm piora em saúde dos olhos em meio à pandemia

Como resultado das medidas de prevenção e controle impostas pela pandemia do novo coronavírus, muitos pacientes que sofrem com problemas oftalmológicos tiveram seus atendimentos, exames, tratamentos e cirurgias eletivas (não urgentes) adiados.

Caso da psicóloga Eliane Oldrini, de 62 anos, moradora do Rio de Janeiro. Diagnosticada há quatro anos com catarata, doença que provoca a perda de transparência do cristalino (lente natural responsável por garantir foco e nitidez) — e que figura como a maior causa de cegueira tratável no mundo —, ela fez a primeira operação, no olho esquerdo, em dezembro de 2019.

A no direito seria em março deste ano, mas foi cancelada.

“Me ligaram do hospital, alguns dias antes da data marcada, avisando que o procedimento seria adiado por causa da covid-19, e dizendo que eu deveria aguardar um novo contato”, relata.

“O problema é que nesse tempo minha visão piorou muito. Tenho sentido muita dificuldade para ler, assistir televisão e até para realizar algumas tarefas do dia a dia. Por causa disso, não estou nem saindo de casa. Tudo o que é preciso fazer na rua, meu marido é quem faz”, acrescenta.

Situação parecida vive a professora Queila Maria Vieira Pereira, de 53 anos. Portadora de glaucoma, neuropatia crônica e degenerativa do nervo óptico (estrutura que envia as imagens do olho para o cérebro), e de alta miopia (25 graus no olho esquerdo e 17 no direito), ela tinha consulta e exame marcados também para março; ambos foram suspensos.

“Como o glaucoma estabilizou, eu já estava na fase de manutenção, com avaliações a cada quatro meses, mais ou menos. A última foi em novembro. Agora já se passaram oito meses e não sei quando serei atendida.”

Moradora de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Queila manteve o tratamento em casa e, durante todo esse período, tem conversado por telefone com o médico responsável por seu caso, mas, mesmo assim, revela ter sentido uma piora.

“Tenho apenas 10% da visão no olho esquerdo e cerca de 70% no direito. Nas últimas semanas parece que ficou tudo mais embaçado, está mais difícil para enxergar, certamente meu quadro se agravou. Eu corro o sério risco de ficar cega, e é muito angustiante não poder fazer o acompanhamento que preciso”, desabafa.

A jornalista e doutoranda da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roni Filgueiras, de 57 anos, é outra paciente que está sofrendo com os impactos da pandemia.

“Sou míope desde os 13 anos, com sete graus em cada olho, e em 2015 também fui diagnosticada com presbiopia. Costumo passar pelo oftalmologista uma vez por ano, e deveria ter ido em abril, mas devido à covid-19 cancelaram todos os atendimentos eletivos e eu fiquei à deriva.”

Com a visão sobrecarregada por trabalhos e pesquisas, Roni, assim como Eliane e Queila, acredita que sua condição piorou durante a quarentena. “Já aumentei a resolução da tela do computador algumas vezes para consegui ler, agora está em 150%. Meus olhos também estão lacrimejando demais. Preciso muito de uma consulta, mas, infelizmente, não consigo marcar.”

Cancelamentos de consultas e medo são prejudiciais para os olhos
Para se ter uma ideia do tamanho da queda, em se tratando apenas de catarata, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 148,8 mil procedimentos cirúrgicos ambulatoriais e 12,8 mil cirurgias com internações hospitalares entre janeiro e maio de 2020, 83,8 mil e 10,8 mil a menos, respectivamente, que no mesmo período do ano passado, quando foram feitos 232,6 mil e 23,6 mil.

Em relação às consultas oftalmológicas, também de janeiro a maio deste ano, foram 2,5 milhões — em 2019, totalizaram 3,9 milhões e em 2018, 3,6 milhões.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) ainda não tem um dado oficial, indicando o quanto atendimentos, exames e cirurgias tiveram de queda no país.

Apesar disso, Cristiano Caixeta, vice-presidente da entidade e chefe do setor de Glaucoma do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, garante que foi algo bastante expressivo, sobretudo nos serviços públicos.

“A redução foi significativa, e maior em abril e maio. Por um lado, tivemos, enquanto necessário e por recomendação dos órgãos de saúde, a suspensão dos procedimentos eletivos. Por outro, as pessoas, por medo de se contaminarem com o coronavírus, deixaram de procurar o médico em vários momentos importantes”, avalia.

Diante desse cenário, são muitas as preocupações, segundo o especialista, com destaque para os pacientes portadores de patologias crônicas (glaucoma, retinopatias e degenerações maculares, por exemplo), que, se não tratadas corretamente, podem levar à perda irreversível da visão.

“Essas doenças necessitam de um acompanhamento mais de perto e, muitas vezes, o tratamento tem de ser feito nas clínicas, com a aplicação do medicamento pelo oftalmologista. Quando há interrupção, tudo o que foi feito até então acaba comprometido e as chances de agravamento aumentam consideravelmente”, comenta.

“Além disso, muitos casos de cegueira são possíveis de serem evitados se diagnosticados e cuidados precocemente”, complementa o especialista.

Caio Regatieri, professor adjunto do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela que o centro hospitalar mantido pela instituição, o Hospital São Paulo, registrou queda de 75% no número de pacientes entre abril e junho, na comparação com a média histórica do mesmo período dos últimos dez anos.

“Percebemos dois movimentos: as pessoas buscaram menos atendimento e, as que buscaram, fizeram isso tardiamente, mesmo tendo um problema grave, como descolamento de retina. Com medo de sair de casa, elas acabaram esperando para ver se melhorava. Agora, com os serviços voltando a funcionar, já atendi alguns pacientes que tiveram uma progressão de suas doenças.”

Em nota, o Ministério da Saúde diz o seguinte: “Objetivando a minimização de circulação de pessoas em ambiente hospitalar, orientou no início da pandemia que consultas, exames ou cirurgias cuja necessidade não fossem fundamentadas em casos de urgência e emergência fossem postergadas”.

Ressalta ainda que “a avaliação do risco-benefício de se realizar o procedimento eletivo tem sido definida pela equipe médica assistencial, em alinhamento com as diretivas vigentes adotadas pelo estabelecimento, de acordo com as recomendações das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, as quais têm autonomia para definir as estratégias mais adequadas de atendimento à população de sua área de abrangência, a partir das características da rede de saúde disponível no território. E essa avaliação deve levar em consideração o risco-benefício coletivo, e não o individual”.

Aposta na telemedicina e retomada dos atendimentos

Para que a população não ficasse totalmente desassistida durante a quarentena, além de incentivar a manutenção dos procedimentos oftalmológicos de urgência e que a população buscasse ajuda quando realmente necessário, o CBO lançou em abril o programa Brasil que Enxerga, tendo como uma de suas principais ações a realização de teleorientações gratuitas por oftalmologistas voluntários.

“Dentre os que usaram o serviço, 98% disseram que tiveram suas dúvidas sanadas”, pontua Caixeta, adicionando que, por dia, foram realizados, entre 45 e 60 atendimentos virtuais.

Com a sua clínica particular fechada desde abril, assim como a do hospital, Regatieri também manteve o contato com os pacientes por meio da telemedicina. Nesse sentido, desenvolveu uma plataforma própria, batizada de VideoMedic, e, de maio para cá, fez mais de 150 atendimentos.

Agora, com o enfrentamento do coronavírus entrando em uma nova fase, os serviços de saúde começam a retomar gradativamente suas atividades — mas a normalização deve ocorrer apenas em alguns meses.

“Sabemos que ainda tem muita gente com receio de ir aos consultórios e hospitais, mas é fundamental que entendam que estamos trabalhando de forma responsável e com toda segurança. O CBO, inclusive, elaborou o ‘Manual de boas condutas para a retomada das atividades eletivas em oftalmologia em tempos de covid-19’, com normas rígidas para profissionais e pacientes”, aponta o vice-presidente da entidade.

“É preciso se proteger neste momento, claro, mas quem tem doença oftalmológica, ainda mais crônica, tem de buscar atendimento. Não se pode negligenciar o tratamento, pois as consequências são muito graves”, completa Regatieri.

Prevalência de cegueira e deficiência visual
Globalmente, pelo menos 2,2 bilhões de pessoas têm deficiência visual ou cegueira, sendo que um bilhão desses casos poderiam ter sido evitados ou ainda não foram tratados. Os dados dão da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por aqui, como consta no documento “As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2019”, elaborado pelo CBO, a cegueira atinge 1.577.016 brasileiros, o equivalente a 0,75% da população, sendo que cerca de 74,8% dos casos são preveníveis ou curáveis.

As principais causas do problema, no mundo, são catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Quando se trata de deficiência visual, no topo do ranking estão erros de refração (miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia) não corrigidos, catarata e DMRI.

 

Fonte:  https://www.bbc.com/